Introdução

O trabalho aqui apresentado debruça-se sobre a biodiversidade e geodiversidade do Concelho de Mafra. Com um enquadramento geográfico variado, é normal uma enorme variedade de habitats de diversas dimensões. Por outro lado, num Concelho em crescimento, como o nosso, onde a mudança surge a grande velocidade, essa variedade e dimensão vai diminuindo.
Deste modo, com a noção clara de que a preservação da bio/geodiversidade é uma responsabilidade a que ninguém está alheio, deitemos mãos à obra. Naturalmente conto com a colaboração de todos, pois este é um espaço onde todos os munícipes do nosso Concelho podem participar,  com a catalogação das mais diversas áreas.
Embora a transformação do nosso Concelho tenha sido muito lenta ao longo dos tempos, e apenas os fogos ou as cheias fossem razão para modificações significativas nos habitats, nos últimos 7 anos, a mutação em curso pode ser  veloz demais para alguns sectores. No entanto, colocando de lado alarmismos, é claro que o nosso Concelho ainda goza de boa saúde Ecológica e Geológica.
Só se poderá preservar o que se conhece, daí ser necessário catalogar tudo o que o nosso Concelho oferece nas mais diversas áreas : Flora, Aves, Mamíferos, Insectos, aspectos do quotidiano fluvial e marítimo, aspectos geológicos,   entre muitos outros temas.
 
Porém, não nos devemos esquecer que não vivemos isolados, e os nossos concelhos confinantes são naturalmente importantes para muitas espécies, pois para elas não há fronteiras administrativas. Será, pois, importante referir que ribeiras,muita da flora silvestre, répteis, mamíferos e aves partilham e interferem, ao longo do ano, tanto no nosso concelho como em concelhos adjacentes.
Deste modo, se pensarmos, por exemplo, nas Raposas, e atendendo aos seus hábitos, não será de admirar que elas se desloquem entre o Barril (Mafra) e a Foz do Rio Sizandro (Torres Vedras),   entre a Carvoeira (Mafra) e o Parque natural de Sintra-Cascais, entre Santa Eulália (Mafra) e Ponte de Lousa (Loures). Do mesmo modo uma gaivota, num só dia, poderá voar sobre todos os Concelhos já referidos, ir ao aterro do Cadaval comer "qualquer coisinha", à noite ir dormir às Berlengas e, pela manhã, estar a tomar o seu banho (matinal) na foz do Rio Lizandro. Muitas limícolas,  por altura do Inverno,  durante a baixa mar, poderão estar na Praia da Empa ou São Sebastião (Ericeira) e, na maré-alta, deslocarem-se para a foz do rio Sizandro (Torres Vedras).
Quando temos cheias na Srª do Ó, naturalmente pela morfologia do terreno, temos um caudal com influência de grandes massas de água oriundas do Concelho de Sintra. Enfim,  muitos serão os temas a descrever e a estudar mas, em conclusão, entendo que não devemos ficar alheios ao que nos rodeia.
A nossa qualidade de vida depende da pluralidade e da partilha global de conhecimentos, para que todos saibam zelar, com responsabilidade, pela preservação ambiental, sem fundamentalismos, e onde o conservacionismo, a caça, o urbanismo, a agricultura, a pesca, entre outros, possam (de mãos dadas) ter um só objectivo.
O nosso Concelho ainda proporciona situações de beleza e encanto, sem limites; como Ornitólogo, tenho presenciado milhares.
O objectivo do OBIMAFRA é estimular a preservação e a partilha de conhecimentos sobre o nosso Concelho. Estando este projecto em fase inicial, é normal que surjam alguns erros. Qualquer um pode ser um “Obim” (observador da bio/ geodiversidade independente de Mafra); para isso, basta participar contribuindo com novos conhecimentos e conteúdos ou corrigindo algo que esteja incorrecto.
 
Expresso a minha gratidão a todos quantos sugerirem melhorias, cooperarem nesta iniciativa contribuíndo com estudos, artigos, fotografias ou informação adicional para o OBIMAFRA. Expresso ainda gratidão à minha família e amigos que me apoiam para poder levar avante este projecto, bem como às instituições do Concelho que sempre me apoiaram noutros projectos de sensibilização ambiental, nomeadamente: Câmara Municipal de Mafra, Tapada de Mafra, Caixa Agrícola de Mafra e Casa do Povo de Mafra.